Governo quer laptop a menos de R$ 2 mil
Casa Civil se empenha em criar mecanismos de redução de impostos e novas linhas de financiamento para compra de notebooks em 2007
O sucesso na empreitada de incluir cada vez mais brasileiros no mundo da informática, reduzindo o preço dos computadores pessoais (desktops), incentivou o governo a investir na segunda etapa do programa Computador para Todos. A meta da Casa Civil é fazer de 2007 o ano dos laptops. Um ousado plano já está sendo desenhado para reduzir impostos dos computadores portáteis e criar linhas de financiamento para essa categoria de eletrônicos. A meta é conseguir colocar na praça um notebook que custe menos de R$ 2 mil, com um pacote de parcelamento atrativo para a classe média.
Em princípio, o foco da segunda etapa será a educação. A proposta defendida no governo é criar um produto destinado aos professores. "Estamos estudando a diminuição de impostos federais, como o PIS e Cofins, e uma possível renúncia de ICMS. Também queremos oferecer linhas de financiamento atrativas e coerentes com a capacidade de pagamento do nosso alvo, até porque todos sabemos as condições de um professor no Brasil", explicou o assessor especial da Casa Civil César Alvarez.
A meta é que o computador portátil esteja nas prateleiras em março, quando recomeça o período letivo. Tal qual o programa dos desktops, a expectativa é que o estímulo do governo faça com que a indústria reaja com produtos cada vez mais baratos. A boa nova é que os maiores nomes da informática mundial resolveram envolver-se mais profundamente com o plano do governo brasileiro.
A fabricante de componentes Intel e a líder na venda de softwares Microsoft têm mantido negociações com a Casa Civil para não perder a segunda onda da universalização dos computadores. Na primeira parte do Computador para Todos, as duas marcas não colheram os louros do aumento da demanda: para baixar custos, a configuração do PC privilegiou o sistema Linux — uma espécie de concorrente gratuito do Windows da Microsoft — e as placas AMD da Athlon, essas sim, na briga direta com as Pentium da Intel. Há meses, representantes dessas grandes marcas tentam convencer o governo de que estão dispostos a colaborar.
Paralelamente às negociações com a Casa Civil, a Microsoft tem investido nos governos estaduais para associar seu nome à universalização dos computadores. A iniciativa já chegou à capital, onde a fabricante de software — em parceria com o GDF e a montadora Epcom — pretende colocar à venda notebooks a R$ 1.353 para professores. "Já houve o ano do celular, do DVD e, agora, é o do PC. E tem muita gente apostando que 2007 será o ano do laptop", afirma Paulo Feldmann, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Microsoft Brasil e responsável pelo projeto.
Os números de 2006 sinalizam essa tendência. A Associação Brasileira da Indústria de Elétrica e Eletrônica (Abinee) calcula que a venda de computadores portáteis cresceu 113% em relação a 2005. Isso sem qualquer estímulo direto nas vendas desse produto. As fabricantes estão empolgadas com as futuras mudanças, que também devem flexibilizar a configuração do desktop que hoje alavanca o projeto. "O primeiro passo foi muito bom. Mas a jornada não acaba aí. Se o governo flexibilizar um pouco, poderá tirar muito mais benefícios desse programa", defende o diretor geral da Dell no Brasil, Raymundo Peixoto.
Correio Braziliense – DF, Mariana Mazza e Luís Osvaldo Grossmann, 10 de dezembro de 2006













