Programa facilita a inclusão digital
A redução nos preços e o conseqüente acesso de consumidores de menor poder aquisitivo aos computadores se devem em parte ao programa Computador para Todos, lançado pelo governo federal em 2003 com o objetivo de promover a inclusão digital da população.
O programa instituiu duas linhas de crédito: uma destinada ao varejista, financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e outra para o cidadão, através da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil.
De acordo com o diretor do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), Luiz Cláudio Mesquita, o programa foi responsável pela chegada do computador a outras classes sociais, e ajudou a pressionar o preço dos computadores para baixo. "Para nossa surpresa, o mercado está praticando preços abaixo de R$ 1.000", disse. Para ser financiada pelo programa, a máquina pode custar até R$ 1.400. De acordo com o estudo da IT Data, contudo, apenas cerca de 265 mil computadores foram comercializados através do programa até o primeiro semestre.
Além disso, alguns setores empresariais vêem o programa com ressalvas. A Lenovo, por exemplo, não aderiu ao programa. "As condições totais do pacote não ofereciam vantagens. As configurações do Computador para Todos são extremamente simples. Mas a Lenovo tem por princípio entregar valor agregado aos clientes. Não é só parafusar uma placa", explica o diretor de vendas da empresa, Nelson Scarpin. O executivo diz ainda que é possível conseguir taxas de juros no mercado semelhantes às das linhas de financiamento. A HP, por sua vez, optou por participar do programa. "Nós temos um modelo que custa R$ 999 com uma configuração interessante", explica o diretor de desktops.
Dentre os varejistas, as grandes redes tenderam a aderir ao programa, enquanto as mais especializadas acabaram optando por ficar de fora. A Infobox está entre essas últimas. "Nós trabalhamos com um público mais segmentado, que prefere financiar o computador no cartão de crédito", explica o gerente de compras da empresa, Pedro Gondim. Já a rede de supermercados Wal-Mart se orgulha de ter sido pioneira na adesão ao Computador para Todos.
Jornal do Commercio – PE, 8 de outubro de 2006













