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Computador cai 15,89%

O preço dos computadores pessoais no varejo tem sofrido grandes reduções deste meados de 2005 e, segundo levantamento realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), já caiu 9,6% neste ano.

No acumulado dos últimos 12 meses, a queda já chegou a 15,89% no Estado. Pelas expectativas do mercado, os preços podem cair mais 4% até o fim de dezembro, caso o cenário econômico continue favorável.

Um dos motivos que levou à redução dos custos ao consumidor, segundo o responsável pela pesquisa da Fipe, Paulo Piquette, são as isenções tributárias concedidas pelo governo federal. A principal delas é a Medida Provisória 255, lançada no ano passado e batizada de MP do Bem. Esse incentivo fiscal livrou da cobrança de PIS/Cofins os microcomputadores de até R$ 2,5 mil e os notebooks (equipamentos portáteis) de até R$ 3 mil. Pela MP, a isenção da carga tributária chega a cerca de 9,25%.

Outro fator importante que levou à queda dos preços é a desvalorização do dólar comercial. Isso influencia no custo dos computadores pois as peças ainda são negociadas em moeda estrangeira - na realidade, boa parte dos insumos são importados. Em 2006, a moeda norte-americana já sofreu baixas superiores a de 8,5%, até o início da segunda quinzena de agosto. Nos últimos 12 meses, a cotação diminuiu cerca de 10%.

Para a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), a concorrência entre as empresas do setor também tem contribuído para baratear os equipamentos de informática.

O programa Computador Para Todos - PC Conectado, lançado pelo governo no ano passado, também impulsionou os negócios, ao oferecer máquinas por até R$ 1.400, em 24 prestações e com juros mensais fixos de 2%. "Agora, o computador começa a caber no bolso dos consumidores que antes não poderiam ter um micro em casa, por não ter dinheiro para pagar pelo produto à vista", comentou o diretor da área de informática da Abinee, Antonio Hugo Valério.

A associação também aponta o combate à pirataria como fator essencial para o crescimento do mercado. Até 2003, de cada 100 máquinas colocadas à venda, 73 era ilegais (a chamada linha cinza). Hoje, o índice de irregularidade caiu para pouco menos de 50%.

Varejo comemora

A queda dos preços dos computadores deixou o varejo otimista. No mês passado, o Extra realizou uma Feira de Informática, quando a venda de máquinas foi 76% maior do que no mesmo evento de 2005. Além disso, o PC Conectado foi o item mais vendido: 189% a mais, se comparado com o feirão do ano anterior.

A Fipe estima que não haverá novas reduções de custos neste ano. Porém, o diretor de informática da Abinee acredita que, caso não ocorram imprevistos, os preços podem cair ainda mais. "A indústria é competitiva e há espaço para deixar os computadores mais baratos em 4% até dezembro", calculou Valério.

Jornal da Tarde – SP, Rodrigo Gallo, 24 de agosto de 2006