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Inclusão digital: mercado ilegal de PCs cai 14% com redução no preço

O mercado ilegal de computadores, também conhecido como PCs cinza, caiu 14% em relação ao primeiro semestre do ano passado, segundo a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica).

"Em 2005 o mercado ilegal respondia por 74% das vendas de computadores no Brasil, hoje este percentual caiu para 60%", revela o diretor de informática da associação, Antonio Hugo Valério este ano.

Até o final do ano, a expectativa é que caia para 50%, antecipa Valério. "Com a baixa nos preços dos PCs o consumidor que comprava máquinas ilegais trocou pelo formal, o que contribuiu para esta mudança significativa no setor". Esse quadro deve levar a um aumento de 18% no faturamento do setor de informática até o final de 2006. Em 2005 o setor faturou R$ 24,4 bilhões, com o aumento deve alcançar R$ 28,7 bilhões.  

O diretor da Abinee avalia que o preço dos PCs, principalmente os que atendem às configurações do programa do Governo Federal Computador Para Todos, caíram em torno de 10% a 15% em um ano. "A medida de redução na carga tributária de 9,25% sobre equipamentos que custam até R$ 2,5 mil foi fundamental para a redução de custos". Além disso, houve uma valorização do Real perante o dólar que também impulsionou ainda mais a queda de preço. "Muitos componentes são importados, se o dólar cai o preço deles também cai com isso, os fabricantes montam máquinas a um custo mais baixo e repassar esse desconto para o consumidor final".    

Paulo Picchetti, coordenador do IPC (índice de Preço ao Consumidor) da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômica), confirma a redução nos preços de PCs. "Somente na região metropolitana de São Paulo tivemos uma redução de 5,2% nos preços das máquinas de janeiro a maio de 2006". No acumulado dos últimos 12 meses, a queda chega a 16,9% no estado, complementa.

Segundo dados da Fipe, a cotação do dólar comercial sofreu baixas de 6,46% até a segunda semana de maio de 2006 e de 11,85% de um ano para cá. No entanto, como esta redução está atrelada ao dólar, Picchetti ressalta que se a moeda norte-americana sofrer alguma alta, o preço dos PCs também sobe. "A nossa previsão é de que o dólar aumente um pouco até o final do ano, não sabemos quanto, mas acho difícil que continue caindo", avalia o coordenador da Fipe.

Wnews, Larissa Januário, 31 de maio de 2006