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Programa Computador para Todos aquece mercado

Somente o Banco do Brasil financiou R$2 milhões em 1,8 mil contratos de dezembro a março. O programa busca ampliar o acesso da população à informática, principalmente o acesso à internet.

O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal começaram a cadastrar lojistas interessados em aderir ao programa de inclusão digital Computador para Todos, do governo federal, desde novembro do ano passado. No Banco do Brasil, a linha de crédito chama-se BB Crediário PC Conectado e destina-se ao financiamento de micros até R$1.200, com taxas de juros, segundo o diretor de Varejo Paulo Bonzanini, de 2% ao mês e prazo de até 24 meses. A prestação mínima é de R$20 e a tarifa de abertura de crédito corresponde a 3% do valor da compra (mínimo de R$15 e máximo de R$36). De dezembro a março o BB já assinou 1,8 mil contratos, somando R$2 milhões.

Um detalhe desta linha é que a primeira parcela do financiamento vence 59 dias após a data da liberação do financiamento. O BB Crediário PC Conectado foi lançado com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e para ter acesso os consumidores terão que dispor de cartão de crédito ou débito do banco com a bandeira Visa, já que o crédito será contratado nas lojas afiliadas à Visanet. "O governo espera alcançar a venda de um milhão de computadores e o BB, que possui 14 milhões de clientes com linha de crédito pré-aprovada em todo o Brasil, acredita que poderá financiar de 200 mil a 300 mil equipamentos", aposta Paulo Bonzanini, frisando que R$25 milhões já estão assegurados junto ao FAT para o programa.

É bom não esquecer que o financiamento só é permitido para máquinas com preço final até R$1,2 mil e que atendam às configurações mínimas determinadas pelo programa de inclusão digital do governo federal, que exige pelo menos 27 aplicativos. Entre eles, acesso à internet, processamento de texto, antivírus e editor de fotos, além de memória de 128 MB e fax modem. Portanto, o preço não é o único requisito para o lojista obter o financiamento.

Caixa - Na Caixa Econômica (CEF), o financiamento também é de até R$1,2 mil, mais R$40 de taxa de abertura de crédito, com taxa de juro de 2% ao mês. O prazo máximo é de 24 meses e quem não for cliente terá que abrir conta. Quem já é cliente tem crédito pré-aprovado. O repasse do dinheiro é feito diretamente aos lojistas. Até março foram liberados 2,5 mil financiamentos, num total de R$3,1 milhões.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também iniciou financiamento pelo programa para as redes varejistas. Até o final de fevereiro, segundo o site oficial do Computador para Todos, já havia liberado R$34 milhões. Antes restrito às empresas com gestão totalmente brasileira, a partir de 1º de fevereiro, com o Decreto nº 5.688, passou a financiar também empresas do varejo com acionistas estrangeiros, o que permitiu a adesão de grandes redes, a exemplo da Pão de Açúcar, da Wall Mart, da Carrefour e do Ponto Frio.

O governo negociou com as operadoras de telefonia e provedores de internet, ainda, planos facilitados de acesso discado, para garantir, de fato, a inclusão digital.

Associação recomenda atenção antes de fechar contrato

Mesmo com as condições vantajosas oferecidas pelo programa de inclusão digital Computador para Todos, a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor Pro Teste, com sede em São Paulo e Rio de Janeiro, recomenda aos interessados na compra de equipamentos todo cuidado antes de fechar o negócio. Com foco nas classes C e D, o programa facilita o financiamento de micros até R$1,4 mil, com taxas de juros de 2% ao mês, em até 24 meses, desde que correspondam às especificações mínimas definidas pelo governo. "Os consumidores, sobretudo os que não são correntistas dos bancos que participam do programa, devem calcular bem os custos, inclusive de abertura e manutenção da conta", adverte Maria Inês Dolci, coordenadora de Relações Institucionais do Pro Teste.

Os cuidados, segundo ela, devem ser adotados para evitar que a compra do computador contribua para "estourar" o orçamento doméstico. Maria Inês Dolci lembra que a abertura de uma conta corrente implica em custo mensal de manutenção e que a taxa de abertura de crédito está em torno de 3% do valor da compra. Os juros de 2% ao mês representam 26,8% ao ano, o que também deve ser computado. Além disso, alerta, alguns bancos estão exigindo a aquisição de cartão de crédito.

"É importante que o interessado na compra pesquise bem o que é melhor, principalmente porque é um financiamento longo, por 24 meses, para evitar que a renda fique comprometida", observa a coordenadora da Pro Teste, entidade que faz pesquisa de mercado sobre os mais variados produtos e serviços. Maior preocupação, ainda, o consumidor deve ter em relação à utilização de cartão de crédito para o financiamento. Afinal, como os juros praticados no mercado são muito altos, a dívida poderá crescer como uma bola de neve em caso de inadimplência.

Algumas lojas do varejo oferecem micros por preços inferiores ao limitado pelo Computador para Todos (R$1,4 mil), mas também aí é preciso o máximo de atenção para as especificações do equipamento e condições de pagamento, sobretudo as taxas de juros embutidas nos preços.

No site da Associação (www.proteste.org.br), os consumidores encontram dicas de como proceder para se precaver de armadilhas espalhadas pelo mercado, como pesquisar preço e as condições de pagamento oferecidas tanto pela rede varejista quanto pelas instituições bancárias. A Pro Teste é uma entidade civil sem fins lucrativos, apartidária, filiada à Consumers International e à International Consumers Research and Testing, organismos internacionais independentes especializados em pesquisa de mercado.

CONFIGURAÇÕES BÁSICAS

Software livre (como Linux)
Processador de 1.4 GHz
Disco rígido de 40 GB
Memória RAM de 128 MB
Monitor de 15 polegadas
Unidade de disco flexível
Unidade de CD-ROM
Modem de 56K
Placas de vídeo, áudio e rede on-board
Mouse e teclado
Porta USB
Mínimo de 26 programas

INCENTIVOS

Isenção do Pis e Cofins para os lojistas que venderem os computadores populares, desconto que deve ser repassado para o preço final.

Parcelamento em até 24 vezes, com prestações de no máximo R$70 (já incluídos os impostos) para micros de até R$1,4 mil e com as configurações estipuladas.

Correio da Bahia, Mônica Bichara, 12 de maio de 2006