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Laptop de US$ 100 está quase pronto

Nicholas Negroponte, fundador do Media Lab, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), disse ontem que seu laptop de US$ 100 deve estar pronto para ser produzido em cerca de 10 semanas.

Ele está à frente da associação sem fins lucrativos One Laptop per Child (Um Laptop por Criança), que planeja levar educação para crianças de países em desenvolvimento por meio de computadores portáteis de baixo custo.

"Os grandes volumes devem vir em um ano", afirmou Negroponte. Ele acrescentou que precisaria de, pelo menos, cinco pedidos grandes para começar a fabricação. A expectativa é que isso aconteça até novembro. Autor do best-seller internacional Vida Digital, o pesquisador visitou o Grupo Estado, antes de palestra marcada para ontem à noite na Telexpo, evento de telecomunicações em São Paulo.

Hoje, Negroponte deve se reunir, em Brasília, com Cézar Alvarez, assessor do presidente Lula, para discutir a participação do Brasil no projeto.

Segundo Negroponte, ainda existem três grandes desafios técnicos. O primeiro deles é a tela. "Não basta ser de baixo custo, ela precisa ser legível sob a luz do sol", afirmou o especialista. "Trabalhamos numa tela que terá dois modos, um convencional, para lugares fechados, e outro em preto e branco, com alta resolução, para ser usado ao ar livre."

O segundo desafio é a comunicação. O laptop usará a tecnologia "mesh", em que cada computador se transforma num nó de rede sem fio, conectando-se às máquinas próximas para formar uma grande rede. Com isso, uma única conexão à internet pode servir para um grupo de máquinas.

O terceiro é a alimentação à energia humana. O laptop de US$ 100 será um computador que a criança poderá "dar corda", como um brinquedo, caso não haja fonte de energia. "Algumas pessoas dizem que não seria necessário, se o País é bem coberto pela rede de energia elétrica. Não é assim. Nas salas de aula não existe uma tomada para cada criança."

A Quanta Computer, de Taiwan, foi escolhida como fabricante do laptop de US$ 100. Segundo Negroponte, é necessário concentrar a produção num só lugar, para garantir os ganhos de escala.

"É possível fabricar aqui as máquinas para o Brasil, mas elas sairiam 50% mais caras", explicou. O pedido inicial esperado por ele é de 1 milhão de laptops.

Negroponte trouxe ao País dois modelos, que mostram como o laptop vai parecer, mas que não funcionam. "Já temos um modelo que funciona", afirmou Negroponte, acrescentando que a integração de todas as partes numa só peça ainda não foi terminada.

"Queremos colocar mais aprendizado nas mãos das crianças", afirmou Negroponte. "Não somos um fabricante de laptops."

O Estado de S. Paulo – SP, Renato Cruz, 8 de março de 2006