Lula e Bouteflika convocam empresários a buscar parcerias
Lula e seu colega argelino, Abdelaziz Bouteflika, convocaram ontem (09), durante almoço em Argel, os empresários do Brasil e da Argélia a buscar negócios e parcerias
De acordo com o presidente da Argélia, há espaço para as empresas brasileiras no plano que envolve investimentos de US$ 60 bilhões em seu país. Para Lula, o Brasil oferece competitividade e cooperação técnica em vários setores. 'Estamos convencidos da necessidade de reforçar as correntes econômicas entre os países do Sul', disse Bouteflika.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega argelino, Abdelaziz Bouteflika, convocaram ontem (09), durante almoço em Argel, os empresários do Brasil e da Argélia a buscar negócios e parcerias. Bouteflika lembrou que seu país tem apresentado uma forte taxa de crescimento econômico e falou sobre o plano qüinqüenal que envolve investimentos de US$ 60 bilhões em setores considerados essenciais.
"Neste vasto processo, há evidentemente lugar para os operadores econômicos brasileiros e latino-americanos, pois, como sublinhei junto dos meios empresariais em São Paulo, nós estamos mais do que nunca convencidos da necessidade de reforçar as correntes econômicas entre os países do Sul que devem, assim, precaver-se contra os desequilíbrios provocados pela globalização", afirmou Bouteflika.
E estas parcerias já começaram. Lula lembrou da joint-venture entre a brasileira Randon e a argelina Cevital, que resultou na instalação de uma linha de montagem de carretas na periferia de Argel, e da licitação vencida recentemente pela Construtora Andrade Gutierrez para construir a Barragem de Boussiaba, na região nordeste do país árabe.
"O Brasil oferece condições de competitividade e oportunidades de cooperação com transferência de tecnologia. Abrem-se oportunidades para empresários brasileiros engajarem-se em projetos decisivos para o desenvolvimento argelino e na exploração de terceiros mercados", afirmou Lula.
Os dois chefes de estado destacaram que o Brasil tem experiência em uma série de setores que podem ser alvo de cooperação técnica, como agricultura, vigilância territorial, micro e pequenas empresas, proteção ambiental, saúde, energia, privatizações, financiamento do comércio exterior, informatização dos serviços públicos, capacitação de mão-de-obra, entre outros.
Um projeto que já chamou a atenção dos argelinos é o "Computador para Todos", que oferece linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e isenção de impostos para a compra de PCs. O projeto foi citado pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan. Bouteflika disse ainda que o Brasil tem condições de fornecer produtos e serviços nas áreas de aviação, transporte rodoviário e ferroviário e monitoramento do tráfego aéreo.
"Convido os empresários argelinos a irem ao Brasil para conhecer o mercado ou buscar parcerias que os ajudem a ganhar competitividade e produtividade", destacou Lula. "Queremos que a Argélia seja sócia do Brasil na construção de um mundo à altura das aspirações de nossos povos", acrescentou.
De pronto, um dos presentes no almoço já manifestou interesse de vir ao Brasil. O ministro argelino das Participações e da Promoção dos Investimentos, Abdelhamid Temmar, disse ao secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, que também participou do almoço, que pretende visitar o país para divulgar o programa de privatizações da Argélia.
O país árabe promove um amplo programa que envolve a venda do controle acionário ou participações em 1,2 mil companhias estatais. Os processos são abertos à participação estrangeira, assim como os empreendimentos do plano qüinqüenal de US$ 60 bilhões.
A Comissão Mista Brasil-Argélia, que reúne representantes dos governos e do setor privado, deverá se reunir em breve. Um dos assuntos ainda a resolver é o enorme déficit para o lado brasileiro na balança comercial. Ao passo que o Brasil exportou o equivalente a US$ 384,3 milhões ao mercado argelino em 2005, importou US$ 2,8 bilhões, principalmente em petróleo.
OMC e G-20
Os dois presidentes falaram também sobre temas da agenda internacional. Bouteflika falou da cúpula dos países árabes e sul-americanos, que co-presidiu ao lado de Lula em maio do ano passado. "Esta cúpula ilustrou a capacidade dos países do Sul para influenciar, solidária e positivamente, o curso das relações internacionais de modo a facilitar a emergência de um mundo mais justo e próspero", ressaltou.
Durante a visita de dois dias, que terminou ontem, Lula manifestou o apoio do Brasil à entrada da Argélia na Organização Mundial do Comércio (OMC) e no G-20, grupo de países em desenvolvimento que pressiona pelo fim dos subsídios das nações ricas na área agrícola. "O presidente deixou isso claro em vários momentos", afirmou à ANBA por telefone o embaixador do Brasil em Argel, Sérgio Danese.
"Por meio do G-20, no âmbito da OMC, onde esperamos brevemente acolher a Argélia, lutamos por um comércio internacional livre do protecionismo agrícola, que nega aos trabalhadores dos países mais pobres o direito de viver dignamente", afirmou Lula em discurso.
Ainda ontem Lula recebeu os presidentes do Senado Argelino, Abdelkader Bensalah, da Câmara, Amar Saadani, e o primeiro-ministro, Ahmed Ouyahia, e inaugurou a exposição Amrik, Presença Árabe na América do Sul, no Palácio da Cultura. A mostra conta em fotos a história da imigração árabe para a América do Sul.
Lula ainda condecorou Bouteflika com a Ordem do Cruzeiro do Sul e o presidenre argelino condecorou seu colega brasileiro com a Ordem do Mérito Nacional da Argélia. Ontem mesmo Lula seguiu para Benin, segunda escala de sua quinta viagem à África.
Agência Brasil Árabe – SP, Alexandre Rocha, 10 de fevereiro de 2006













